"Com o DSS,o acionamento destes motores é feito eletronicamente e controlado durante todo o processo, o que garante redução no consumo de energia nesta ativação, tendo como benefício uma menor necessidade de investimento no sistema de geradores”,
Para atenuar este contratempo, a Dedini Indústria de Base, maior fabricante de equipamentos para o setor sucroalcooleiro do Brasil, criou uma solução denominada DSS (Dual Smart Start). O equipamento diminui a quantidade de energia elétrica requerida para acionar estas cargas, possibilitando, assim, que a usina inicie e mantenha as suas operações e também reduza o desgaste mecânicos das diversas partes das máquinas. Para concluir este projeto com as características pretendidas por seus idealizadores, a Dedini recorreu à Danfoss do Brasil, que participa da elaboração do sistema como cooperadora tecnológica e fornecedora do conjunto elétrico que inclui componentes de alta tecnologia tais como os conversores de frequência VLT® AutomationDrive FC300.
O DSS pode ser instalado em qualquer usina, nos motores de preparo da cana (o picador, o desfibrador e o nivelador), e é principalmente indicado para aquelas que tenham limitações em seus sistemas de geração de energia por poder evitar desligamentos e danos às instalações. Com este equipamento, os motores da usina podem começar a funcionar em uma velocidade baixa que é aumentada gradativamente, a chamada “partida suave linear”. Esta ativação ou acionamento das máquinas é fundamental para evitar o desgaste e prolongar a vida útil dos equipamentos da usina, pois utiliza apenas a quantidade de energia necessária para a movimentação destes, evitando os conhecidos picos de energia, bastante comuns em métodos de partida tradicionais de mercado, que atingem níveis elevadíssimos, chegando a sete vezes a corrente nominal de partida.
“Estes motores são os que consomem mais energia em uma usina. Em alguns casos, quando começam a funcionar, ocorre uma queda de tensão da usina, acarretando o desligamento de outros equipamentos. Com o DSS,o acionamento destes motores é feito eletronicamente e controlado durante todo o processo, o que garante redução no consumo de energia nesta ativação, tendo como benefício uma menor necessidade de investimento no sistema de geradores”, destaca o Engenheiro Eletricista/Eletrônico Adejunio Reis, da divisão Açúcar & Etanol da Dedini, responsável pela criação e desenvolvimento da solução.
A utilização do sistema eletrificado com “partida suave linear” possibilita, ainda, que as usinas precisem de menos vapor como fonte de energia para funcionar. Com isso, pode-se obter um maior excedente para co-geração de energia elétrica, o que significa uma oportunidade de novos negócios para os empresários do setor sucroalcooleiro.
A aplicação
Além de permitir economia de energia elétrica e melhor conservação das máquinas, o DSS também otimiza a produção por minimizar a possibilidade de um “embuchamento”, que é um travamento de picadores e desfibradores geralmente causado por sobrecarga mecânica e que paralisa os sistemas normalmente utilizados em usinas. A solução desenvolvida conjuntamente pela Dedini e Danfoss pode suportar uma sobrecarga elétrica de até 160% acima da capacidade das máquinas, evitando o seu desligamento. Mesmo que o problema ocorra, é possível a reversão dos motores de forma simples, o que diminui o tempo de interrupção das atividades.
“Trata-se de um sistema único no mundo, desenvolvido sem similares por engenheiros brasileiros, concebido com a associação de alta tecnologia da Danfoss ao conhecimento do comportamento de máquinas tradicionalmente produzidas pela Dedini. Para se ter uma ideia da grande versatilidade do sistema DSS, além de apresentar custo baixo, maior controle em produção, operação, manutenção e segurança, ele também possibilita que um nivela-dor, um picador e um desfibrador comecem a funcionar ao mesmo tempo, embora em termos práticos, sempre se implemente um algoritmo de controle que comande a partida de cada motor de forma seqüencial”, complementa Reis.
A confiabilidade do DSS é outra característica que as duas empresas destacam. Isso porque os motores de média tensão podem trabalhar sozinhos com pequena redução na velocidade de moagem se qualquer problema funcional ocorrer com os conversores de frequência quando estiverem alimentando os motores menores de baixa tensão. Além disso, como a queda de tensão na barra de saída do gerador é inferior a 0,5% durante a partida dos motores, a possibilidade de queda do gerador por sobrecarga é eliminada.
Finalmente, as vantagens desta solução desenvolvida pela Dedini e pela Danfoss também podem ser traduzidas em retorno financeiro para as empresas sucroalcooleiras. Em uma usina de médio porte com capacidade de moagem de 4.000 toneladas / hora de cana por safra, por exemplo, um sistema de partida tradicional demandaria uma potência de pico de 18,7 MVA para um sistema composto de um nivelador de 1.500CV, um picador de 2.650CV e um desfibrador de 3.000 CV, enquanto com a aplicação do DSS na mesma estrutura exigira apenas 5,7 MVA no pico. Esta economia de 13 MVA apenas na partida dispensaria a necessidade do superdimensionamento de uma série de equipamentos, principalmente geradores, caldeiras e turbinas. Com isso, poderia-se economizar aproximadamente R$ 1,15 milhão em geradores e R$ 16,3 milhões no conjunto total.
“Apenas a redução dos investimentos em geradores já justificaria o investimento em um sistema como o DSS. No entanto, estamos falando de uma forte tendência para as usinas de açúcar e etanol no futuro também. Inclusive, no último mês de outubro, estive presente no 10º simpósio brasileiro de açúcar e etanol em um evento realizado pela STAB (Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil) em Ribeirão Preto e um dos temas mais abordados e discutidos pela alta gerência das usinas foi justamente a partida suave dos motores do preparo de cana. Assim, estamos certos de que esta solução do DSS será adotada pelas principais empresas do setor num futuro próximo”, afirma Henrique Rizzo, gerente de negócios para o segmento de açúcar e etanol da Danfoss do Brasil. O DSS foi tão bem recebido pelo mercado que as empresas que o desenvolveram já ofertaram mais de 60 cotações desde que a solução foi disponibilizada para o setor.